|
Carta de Vauban’ A Louvois.
Superintendente
das construções da França no Reinado de Luis XIV, em 1683.
“Senhor,
Existem algumas pontas de obras dos
últimos anos que não estão terminadas e que nunca irão sê-lo. E tudo
isso, Senhor, devido ‘a confusão causada pelos freqüentes
rebaixamentos de preços que se fazem nas obras de Vossa Mercê, pois
é certo que todos esses rompimentos de contratos, descumprimentos de
palavra, trabalhos mal executados e aditivos de adjudicações não
servirão senão para atrair a Vossa Mercê, enganando-o, como
empreiteiros, todos os miseráveis que não sabem onde dar com a
cabeça, os trapaceiros, os aventureiros e os ignorantes. E afastar
de Vossa Mercê todos aqueles que têm o que perder e que são capazes
de conduzir uma Empresa com valia e honradez.
Digo, ainda mais, Senhor, que atrasam
e encarecem consideravelmente as obras, que são as piores possíveis,
pois os abatimentos e bons negócios tão desejados, são imaginários,
pois um Empreiteiro em prejuízo se assemelha a um homem que se aloja
e que se segura a tudo que pode. Ora, segurar-se a tudo que pode,
para um empreiteiro, é não pagar aos comerciantes que lhe oferecem
os materiais, é pagar mal aos trabalhadores que ele emprega é
trapacear todos aqueles que pode, é não ter senão os piores
operários, posto que recebem menos que os outros, é não empregar
senão materiais de pior qualidade, é, sem razão, questionar a
respeito de tudo e, no fim, sempre gritar misericórdia a uns e
outros.
Eis, pois, Senhor, o bastante para
fazer ver a Vossa Mercê a imperfeição dessa conduta, abandone-a,
então, e em nome de Deus: Restabeleça a boa Fé.
Dê ‘as obras o seu preço justo e não
recuse uma remuneração honesta ao Empreiteiro para que cumpra o seu
dever. Este será sempre o melhor negócio que Vossa Mercê poderá
fazer.
Vauban
17 de Julho de 1683”
|